domingo, 22 de dezembro de 2013
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Greek Dance Music - Música Grega
Celebração
O Dudu já sabe tocar.
O Dudu já anda!
Dança, Dudu!
Canta, Dudu!
sábado, 31 de agosto de 2013
Velhas Árvores
Passo naquela estrada desde que me conheço. Há semanas, comecei a ver, ao longe, um camião de troncos. Depois, achei que a sua permanência já se prolongava, por ali.
Num destes dias da semana, ao desfazer da curva, no final da descida, notei que a paisagem tinha ganho uma amplitude verde, maior do que o habitual. Algo mudara e o meu olhar estranhou ainda antes de eu compreender e notar a ausência das velhas árvores (para mim, choupos) que sempre vi a ladearem a vala da linha de água que separa os vinhedos.
Um só tronco desmembrado, ainda erguido e, em redor, caídos, os pedaços cortados do que fora um velho arvoredo a resistir ao alcatrão e ao betão, na sua missão de dar testemunho das minhas mais remotas memórias.
Senti um baque. Embora já fosse irreconhecível, agora, então, nunca mais a antiga "curva do Casimiro" será a mesma. Nunca mais voltará a ser o troço denso e misterioso que alimentava tantos medos, perigos e suposições, quase tornando intransponível o caminhar das gentes de outrora, rumo à cidade que nos ficava tão distante e tão difícil de alcançar.
Rasgou-se, por completo, o "Bojador" da minha terra, da minha infãncia.
Muitos dirão que tudo se faz pelo "desenvolvimento" mas, desenvolvimento passa também pelo respeito pela Natureza. Passa pela consciencialização de todos nós na prevenção do perigo. Passa pelo empenhamento dos responsáveis políticos, pela disponibilidade de meios, pela formação humana.
Vejo o derrube das árvores pela acção do homem. Ouço e leio as notícias da tragédia dos fogos ateados por mãos criminosas e, em tudo isso descubro a pobreza de horizontes e de valores que é preciso combater.
Não podemos ignorar.
.
Num destes dias da semana, ao desfazer da curva, no final da descida, notei que a paisagem tinha ganho uma amplitude verde, maior do que o habitual. Algo mudara e o meu olhar estranhou ainda antes de eu compreender e notar a ausência das velhas árvores (para mim, choupos) que sempre vi a ladearem a vala da linha de água que separa os vinhedos.
Um só tronco desmembrado, ainda erguido e, em redor, caídos, os pedaços cortados do que fora um velho arvoredo a resistir ao alcatrão e ao betão, na sua missão de dar testemunho das minhas mais remotas memórias.
Senti um baque. Embora já fosse irreconhecível, agora, então, nunca mais a antiga "curva do Casimiro" será a mesma. Nunca mais voltará a ser o troço denso e misterioso que alimentava tantos medos, perigos e suposições, quase tornando intransponível o caminhar das gentes de outrora, rumo à cidade que nos ficava tão distante e tão difícil de alcançar.
Rasgou-se, por completo, o "Bojador" da minha terra, da minha infãncia.
Muitos dirão que tudo se faz pelo "desenvolvimento" mas, desenvolvimento passa também pelo respeito pela Natureza. Passa pela consciencialização de todos nós na prevenção do perigo. Passa pelo empenhamento dos responsáveis políticos, pela disponibilidade de meios, pela formação humana.
Vejo o derrube das árvores pela acção do homem. Ouço e leio as notícias da tragédia dos fogos ateados por mãos criminosas e, em tudo isso descubro a pobreza de horizontes e de valores que é preciso combater.
Não podemos ignorar.
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Velhas Árvores
Velhas Árvores
Olha estas velhas árvores, mais belas
Do que as árvores novas, mais amigas:
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das porcelas...
O homem, a fera, e o insecto, à sombra delas
Vivem, livres de fomes e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E os amores das aves tagarelas.
Não choremos, amigo, a mocidade!
Envelheçamos rindo! envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem:
Na glória da alegria e da bondade,
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!
Olavo Bilac, in "Poesias"
Olha estas velhas árvores, mais belas
Do que as árvores novas, mais amigas:
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das porcelas...
O homem, a fera, e o insecto, à sombra delas
Vivem, livres de fomes e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E os amores das aves tagarelas.
Não choremos, amigo, a mocidade!
Envelheçamos rindo! envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem:
Na glória da alegria e da bondade,
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!
Olavo Bilac, in "Poesias"
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Nos braços de Morfeu
De repente, no Vale Escuro, dois raios luminosos precederam o inesperado ribombar de trovões, tão fortes como há muito tempo não se ouvia por aqueles sítios.
Pelos penhascos selvagens da colina, com pretensões de ser Estrela, como a Serra que lhe servia de referência, trepavam agora, rebanhos e rebanhos, bandos e bandos.
De um lado, começara por ver-se o "salve-se quem puder". Esgatanhando, trepando em busca do céu, os homens pareciam ser ovelhas amedrontadas, a querer correr, mas presas na mansidão da rotina a que estavam habituadas. Ao mesmo tempo, pareciam cagarras. Chilreantes, acostumadas à bravura dos mares mas, de asas cortadas, tementes pelas ninhadas, pelas crias, que lhes preenchiam os cuidados.
Do outro lado do penhasco, lá vai, outra vez, o rebanho ora descendo, ora parando, tosquiando "lana caprina", enquanto nas patas lhe anilham grilhões de ferro ou de aço. Rebolam-se, os bichos, em aflição, num "cai-te não caias", até se estatelarem nos pedregulhos do sopé do outeiro.
Num aperto final, soou, no Vale, um grito lancinante.
-Maldito pesadeeelo!
O alarme do hotel disparou trazendo aos corredores os hóspedes dos quartos vizinhos. Uns, em chinelos.Outros, em pelota, em roupão, em cuecas ou de tanga.
Os primeiros a surgir, abriram a porta do quarto 213 e clamaram ao estarrecido que acabava de acordar, sacudindo ainda, as mãos, como se lhas tivessem cortado.
-Que é isso, homem? Pronto! Não se passou nada. A noite está calma. Lá fora, o mar está chão e a madrugada não tarda a surgir, com a promessa de sol brilhante. Volte a dormir descansado.
No regresso de todos, aos respectivos aposentos, ouvia-se, em surdina:
- Não se faz isto, numa noite tão serena! Pânico, para quê? Há que responsabilizar este idiota.
Pelos penhascos selvagens da colina, com pretensões de ser Estrela, como a Serra que lhe servia de referência, trepavam agora, rebanhos e rebanhos, bandos e bandos.
De um lado, começara por ver-se o "salve-se quem puder". Esgatanhando, trepando em busca do céu, os homens pareciam ser ovelhas amedrontadas, a querer correr, mas presas na mansidão da rotina a que estavam habituadas. Ao mesmo tempo, pareciam cagarras. Chilreantes, acostumadas à bravura dos mares mas, de asas cortadas, tementes pelas ninhadas, pelas crias, que lhes preenchiam os cuidados.
Do outro lado do penhasco, lá vai, outra vez, o rebanho ora descendo, ora parando, tosquiando "lana caprina", enquanto nas patas lhe anilham grilhões de ferro ou de aço. Rebolam-se, os bichos, em aflição, num "cai-te não caias", até se estatelarem nos pedregulhos do sopé do outeiro.
Num aperto final, soou, no Vale, um grito lancinante.
-Maldito pesadeeelo!
O alarme do hotel disparou trazendo aos corredores os hóspedes dos quartos vizinhos. Uns, em chinelos.Outros, em pelota, em roupão, em cuecas ou de tanga.
Os primeiros a surgir, abriram a porta do quarto 213 e clamaram ao estarrecido que acabava de acordar, sacudindo ainda, as mãos, como se lhas tivessem cortado.
-Que é isso, homem? Pronto! Não se passou nada. A noite está calma. Lá fora, o mar está chão e a madrugada não tarda a surgir, com a promessa de sol brilhante. Volte a dormir descansado.
No regresso de todos, aos respectivos aposentos, ouvia-se, em surdina:
- Não se faz isto, numa noite tão serena! Pânico, para quê? Há que responsabilizar este idiota.
sexta-feira, 12 de julho de 2013
Uma "flor"
Pensei que, desta vez, conseguiria resolver, apenas comigo mesma, todos os trâmites do "encosto" forçado, que tive.
Que raiva. Enganei-me, mais uma vez.
Afinal, durante o fim de semana, vou precisar de um parecer seguro, esclarecido, capaz de firmar a melhor decisão que devo tomar.
Detesto o provérbio mas, tenho de concordar com ele:
"Numa mulher, não se toca, nem com uma flor".
Que raiva. Enganei-me, mais uma vez.
Afinal, durante o fim de semana, vou precisar de um parecer seguro, esclarecido, capaz de firmar a melhor decisão que devo tomar.
Detesto o provérbio mas, tenho de concordar com ele:
"Numa mulher, não se toca, nem com uma flor".
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