Um dia, fizeram-me acreditar nos Homens, numa Europa Unida e prometeram-me que haveria de me sentir europeia de pleno direito, com acesso a um mundo novo, de partilha e de solidariedade fraternas.
Nos tempos que correm, ando com cara de país periférico.
De manhã à noite, ouço avisos de poupança, alertas de crise e recessão a fazer lembrar "outroras", que julgava adormecidos, para sempre.
Há pânico nas bolsas, dizem.
Ser-se velho é ser capaz de não se deixar espantar com aumentos no gás ou na luz, com perdão às dívidas de milhões, com penalização a quem vai pagando o sonho de ter a sua casa, nem sequer com a implementação de "pseudo-modernos" moldes de escravatura humana. Porém, esta que ouvi de haver hesitações em subir o IVA do golfe e das touradas, quando tudo o que é essencial e básico sofre aumentos impiedosos, parece-me intolerável e mexe com a minha costela a favor dos toiros.
Sinto a fúria deles ao sair do curro, para gáudio da esperteza dos parolos.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Até vais de carrinho
Fomos inseparáveis durante mais de uma dezena e meia de anos. Vivemos a mesma ânsia de liberdade. Para onde eu queria ir, lá estava ele disponível e, mesmo quando se armava em teimoso ou "sr do seu nariz", suportava as minhas resmunguices submisso, como ninguém.
Um dia, comecei a olhá-lo de lado e reparei que cada vez mais, se parecia comigo. Andava descolorido, fora de moda, barulhento, desengonçado. Direi até, envelhecido.
Começaram, aí, as nossas querelas e desamores.
-Abre a janela! Fecha a janela!
-Não abro! Não fecho!
Neste vaivém de conversas, ele perdeu a cartada.
Deixei-me seduzir por outro mais belo e actual, com ar vistoso e perfumado!...
Então, cuidadosa no cumprimento dos meus deveres fiscais procurei, no virtual, informações sobre o imposto de circulação a pagar pelo meu novo brinquedo.
Como riso de mafarrico, ressalta-me o espectro do meu velho calhambeque. Havia um calote de selo esquecido, pendente há mais de 3 anos!
Duvidei da minha capacidade de literacia. Pedi ajuda na interpretação que fizera. Não havia engano. Eu tinha falhado. Hoje, na repartição, ouço a sentença.
Apesar da separação efectiva, há que pagar e... com coima.
A conter "os azeites", espero que termine a quebra do sistema informático. Recordo-me, entretanto, da caçada do radar que ainda percorre os "trâmites legais" mas não tardará a escaldar-me os bolsos, também.
Já a manhã ia bem alta quando as contas apareceram, simples de entender.
Coima, selo antigo, novo imposto... Lá se foi um corte de mais de centena e meia de "aéreos". E, de novo aquele riso escarninho a soar-me, agora, na consciência.
-Queres carrinho novo? Toma. Paga. Ah!...e, para não esqueceres o velhinho calhambeque, trata de guardar o recibo do calote, durante os próximos 5 anos!!!
Um dia, comecei a olhá-lo de lado e reparei que cada vez mais, se parecia comigo. Andava descolorido, fora de moda, barulhento, desengonçado. Direi até, envelhecido.
Começaram, aí, as nossas querelas e desamores.
-Abre a janela! Fecha a janela!
-Não abro! Não fecho!
Neste vaivém de conversas, ele perdeu a cartada.
Deixei-me seduzir por outro mais belo e actual, com ar vistoso e perfumado!...
Então, cuidadosa no cumprimento dos meus deveres fiscais procurei, no virtual, informações sobre o imposto de circulação a pagar pelo meu novo brinquedo.
Como riso de mafarrico, ressalta-me o espectro do meu velho calhambeque. Havia um calote de selo esquecido, pendente há mais de 3 anos!
Duvidei da minha capacidade de literacia. Pedi ajuda na interpretação que fizera. Não havia engano. Eu tinha falhado. Hoje, na repartição, ouço a sentença.
Apesar da separação efectiva, há que pagar e... com coima.
A conter "os azeites", espero que termine a quebra do sistema informático. Recordo-me, entretanto, da caçada do radar que ainda percorre os "trâmites legais" mas não tardará a escaldar-me os bolsos, também.
Já a manhã ia bem alta quando as contas apareceram, simples de entender.
Coima, selo antigo, novo imposto... Lá se foi um corte de mais de centena e meia de "aéreos". E, de novo aquele riso escarninho a soar-me, agora, na consciência.
-Queres carrinho novo? Toma. Paga. Ah!...e, para não esqueceres o velhinho calhambeque, trata de guardar o recibo do calote, durante os próximos 5 anos!!!
domingo, 7 de agosto de 2011
Um poema
UM POEMA
Não tenhas medo, ouve:
É um poema
Um misto de oração e de feitiço...
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decorá-lo
E rezá-lo
Ao deitar
Ao levantar,
Ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz...
Miguel Torga, Diário XIII
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Vasquinho
O nosso Vasquinho já nasceu! Tão lindo que é! Tão pequenino mas capaz de ser a Força Maior a ajudar na recuperação dolorosa, da sua mamã!
Felicidades nos trouxe. Felicidades encontre, sempre, ao longo da vida.
Felicidades nos trouxe. Felicidades encontre, sempre, ao longo da vida.
terça-feira, 5 de julho de 2011
Parabéns, Gil! 5 anos, dia 5!
Pois eu gosto de crianças!
Já fui criança, também…
Não me lembro de o ter sido;
Mas só ver reproduzido
O que fui, sabe-me bem.
É como se de repente
A minha imagem mudasse
No cristal duma nascente,
E tudo o que sou voltasse
À pureza da semente.
Miguel Torga
Diário VIII , 1957
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