quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Balanço

Em resposta a dois "apelos", ontem, fui a Lisboa.
Recebera, de uma instituição de que sou sócia, um pedido de actualização dos dados testamentários que havia estabelecido nos remotos anos 80 e que careciam, agora, de assinatura presencial ou reconhecida (a idade a impor prova de vida).
A viagem impôs-se ainda mais neste dia, pelo convite para a partilhar na ida, com alguém que adoro. Momentos antes da partida, já ficava memorável por me ter sido dada uma grande notícia mas, sobre esse assunto, não falo, por agora.
Já na grande cidade, após o cumprimento das formalidades que tinha por objectivo, pude apreciar a baixa e o seu morno movimento àquela hora, num dia véspera de Dezembro, com o sol tímido e receoso do seu brilho.
Despertei para a época natalícia que se avizinha, com o comentário de duas idosas, na passagem de peões, observando a ausência de enfeites luminosos, no Rossio. Nas ruas, no metro, sobravam pedintes. Nas poucas lojas onde entrei, algumas esperando-me, apenas um ou dois clientes compradores.
Na espera do autocarro, deu para entender a conversa telefónica de provável recém advogada lamentando-se por ir ter mais um julgamento na calha, enquanto continua à espera pelos pagamentos em falta.
Durante a viagem, ouço falar da ansiedade sentida pela necessidade da entrega dum trabalho com prazo a expirar, sob risco de ir por água abaixo a avaliação do esforço já realizado (novas oportunidades, deduzi).
E, assim, num dia em que saí da concha, deu para meditar nas alterações que se vão registando na nossa sociedade. Deu para adivinhar até em mim, o efeito que o tempo e os tempos produzem sobre cada um de nós e como somos levados a ver "o filme", com novo olhar.
No dia em que o orçamento estava a ser aprovado, não vi nem ouvi ninguém dizer que vira um só dos políticos no activo a observar e a sentir o pulsar da vida, o ritmo do chamado "país real". Decerto a inquietude da realidade os desassossegaria demasiado.
Remeto-me ao campo dos afectos e às vivências da manhã deste dia tão significativo, para acreditar no Futuro.
Afinal, a Vida é feita de partidas e chegadas, numa renovação constante.
Vão-se a crise, a usura e os desequilíbrios orçamentais capazes de nos obrigar a deixar de celebrar este feriado do 1º de Dezembro, evocativo do esforço que nossos avós fizeram para nos legar a restauração da independência da nossa Portugalidade, tudo em nome da tirania do dinheiro.
...

Salvemos o euro!
Ganhemos o Euro!

Num sonho arrojado vejo-me, indecisa, de bolsos vazios, a debater-me perante a possibilidade de ganhar o euro numa final de desforra, Portugal /Grécia, cantando o Hino Nacional e tirando a língua, escarninha, aos "grandes" desta Europa.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

11/11/2011

foto retirada da net

Todos conhecem o que nos conta a lenda.
Num dia frio e chuvoso, S. Martinho seguia no seu cavalo quando lhe surgiu um pobre trémulo e esfarrapado. O Santo não hesitou e com a sua espada cortou metade da sua capa e deu-a ao pobre para que partilhasse consigo o único agasalho, ao dispor. Mas a lenda não termina aqui. Diz-nos ainda ser aquele pobre o próprio Cristo e, que, como recompensa pelo singelo gesto de partilha e fraternidade, se iluminou o céu e fez-se Verão, em pleno Outono.
Quanta actualidade na moral desta história enriquecida hoje pelo equilíbrio dos números da data que se celebra e perante o egoísmo e usura global que defrontamos.
Saibamos todos, sem deixar de fora os responsáveis pelos desequilíbrios numéricos e financeiros do nosso e de outros países, ter gestos de equidade e justiça, conscientes do princípio de que a liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do outro.
Se fora assim, nunca as castanhas rebentariam, apenas, nas mãos do Povinho e a crise do tempo daria lugar a brilhantes dias de Verão, por todos partilhados.


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Um grato registo

Hoje, na grande cidade, por entre o jorro de viaturas apressadas, o meu Sol chegou, parou, sorriu-me e fez-se festa.
...E o meu Sol não estava só. A sua Estrelinha mais recente, lá vinha, linda, iluminada, dormitando sossegadinha.
Então, meu Sol fingiu que nada mais tinha para fazer senão brilhar para mim e mimar-me com disponibilidade e afecto.
Foi almoço requintado, temperado de Ternura;
Foi passeata e conversa, doce e próxima, pelo jardim;
Foi o abrir-me a "janela" da modernidade, num rasgo ao espaço;
Foi levar-me a ver o brilho maravilhoso da sua Estrelinha primogénita;
Foi alterar hábitos e rotinas para me receber e adular.
E, para tanta beleza de alma que sempre o meu Sol me revelou, não há, não pode haver crise, nem derrota.
Meu Sol é o Brilho duma nova geração que o meu país não sabe valorizar.
Meu Sol, querido Sol, que o Caminho que persegues te sorria e sejas capaz de o prosseguir contornando as pedras, vencendo escolhos, formando assim, tão bem, tuas Estrelinhas Preciosas, na busca do Horizonte.
Obrigada, Sol! És Referência e Orgulho, também, para mim.
Adoro-te.