domingo, 1 de maio de 2011



Para sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino

feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade, in 'Lição de Coisas'


domingo, 24 de abril de 2011

Handel - Messiah - Hallelujah Chorus


Páscoa!
Passagem das trevas para a Luz. Vitória da Vida sobre a morte.
Páscoa, Ressurreição do Amor!


Composição : George Friedrich Händel
Handel's Messiah

allelujah (Aleluya)

Hallelujah hallelujah hallelujah hallelujah hallelujah
Hallelujah hallelujah hallelujah hallelujah hallelujah

For the lord God omnipotent reigneth
Hallelujah hallelujah hallelujah hallelujah
For the lord God omnipotent reigneth
Hallelujah hallelujah hallelujah hallelujah
For the lord God omnipotent reigneth
Hallelujah hallelujah hallelujah hallelujah

Hallelujah hallelujah hallelujah hallelujah
Hallelujah hallelujah hallelujah hallelujah
(For the lord God omnipotent reigneth)
Hallelujah hallelujah hallelujah hallelujah

For the lord God omnipotent reigneth
(Hallelujah hallelujah hallelujah hallelujah)
Hallelujah

The kingdom of this world is become
The kingdom of our Lord, and of His Christ, and of His Christ

And He shall reign forever and ever
And He shall reign forever and ever
And He shall reign forever and ever
And He shall reign forever and ever

King of kings forever and ever
hallelujah hallelujah
And Lord of lords forever and ever
hallelujah hallelujah
King of kings forever and ever
hallelujah hallelujah
And Lord of lords forever and ever
hallelujah hallelujah
King of kings forever and ever
hallelujah hallelujah
And Lord of lords
King of kings and lord of lords

And He shall reign
And He shall reign
And He shall reign, He shall reign
And He shall reign forever and ever

King of kings forever and ever
And Lord of lords
hallelujah hallelujah
And He shall reign forever and ever

King of kings and Lord of lords
King of kings and Lord of lords
And he shall reign forever and ever

Forever and ever and ever and ever
(King of kings and Lord of lords)

Hallelujah hallelujah
hallelujah hallelujah
Hallelujah

sexta-feira, 22 de abril de 2011

terça-feira, 12 de abril de 2011

Tempo de ser melhor

Basta um segundo e todos os nadas podem ser relativizados perante a evidência do perigo.
Hoje, de manhã, fui testemunha dum atropelamento. Foi tão perturbador que ainda me é difícil abstrair toda a sequência dos factos.
Foi, novamente, mais uma lição de condução após a aula de natação. Outro aviso, um grande e perturbante aviso, para que eu própria me torne mais consciente do modo como viajo e caminho, das limitações que também me vão afectando já e da forma distraída como conduzo, tantas vezes, reconheço.
O caso poderia ter-se passado comigo, com qualquer um. Basta um instante de distracção e facilitismo.
Ao regressar da natação, optei via túnel. Já próximo da entrada, vejo surgir de lá uma camioneta ligeira de caixa aberta, com um casal da minha faixa etária, talvez. Simultaneamente, no mesmo sentido, apercebo-me de uma figura feminina que se dispõe a atravessar a passadeira. Nem tive tempo de ver se a mulher olhou para a entrada do túnel. O meu pensamento ficou a meio embora tivesse durado menos de um segundo, tenho a certeza. Ouvi o estrondo daquele corpo na frente lateral da camioneta e vi a expressão de inevitável surpresa nos rostos do condutor e da sua acompanhante. Instintivamente, dei comigo parada ao lado da carroçaria sem ver a atropelada. Avancei um pouco e já outra mulher de telemóvel na mão chamava socorro. Outras pessoas vindas do mesmo sentido, já se aproximavam. Senti que nada podia fazer senão avançar para que o trânsito que vinha atrás de mim não perturbasse mais. Entrei no túnel acenando calma aos incautos que se aproximavam, para que não houvesse mais embates.
Por coincidência ou não, foi na 3ª-feira passada que fui multada por excesso de velocidade.
Dois grandes avisos. Dois momentos a demonstrarem-me que a vida é um exigente e constante apelo à nossa perfeição e um aviso à cautela e à consciencialização das consequências que a forma como utilizamos a nossa liberdade pode perturbar a vida de outros, iguais a nós.

domingo, 10 de abril de 2011

Extracts from Coppelia 1: Moscow Ballet. Newcastle 2011

CCC Dança COPPÉLIA

CCC Dança COPPÉLIA

Muito Bom.
1º- Excelente elenco;
2º-Excelente espectáculo;
3º- Excelente fim de tarde;
4º- Excelente prenda de aniversário... Bilhete oferecido!

Foi um prazer. Gostei muiiito!
Obrigada, manos.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Socrinhas, uma nova Amizade

Acabara eu de "passar o chão a pano". A janela da varanda ficou escancarada ao radioso sol enquanto eu, no quarto, me vestia decentemente para poder sair à rua. Depressa o meu ouvido me deu sinal de quebra de rotina. Aquele som estava demasiado cá dentro e fui ver. Com a minha voz o menos esganiçada possível, cumprimentei a visita com a maior simpatia. A fome e o cansaço davam-lhe um ar de "alma penada" apesar do amarelinho que saltava à vista e do verde da esperança que deixavam adivinhar uma figura garbosa e bela. Ponderava entre o risco de acreditar nesta bicha que lhe surgia e o apoio de que necessitava. Tal e qual um qualquer 1º ministro elegante, mas hesitante em aceitar o convite das migalhinhas com que sujei o chão, ainda molhado. Entre entradas e saídas "em frente às câmaras", decidiu-se por entrar, sem se debater e, num ápice, o prendi nas minhas mãos.
Levei-o até à chaveninha da água e bebeu sequioso. Aceitou, desajeitado, provar as migalhas que eu tinha na mão. Procurei com ele uma caixa de sapatos. Deitei-lhe uns bagos de arroz e lá ficou o meu amigo coberto de plástico furado, enquanto eu saí. A varanda ficou aberta para o caso de ele optar ser livre.
Demorei-me +ou- 3h. Pelo caminho, abasteci-me de comidinha adequada à sua espécie. Procurei uma casinha vazia que outrora pertencera a um canário muito amado e voltei a casa.
Ao sentir-me, senti-o nos seus gorjeios como se me dissesse da fome que ainda tinha. Encostei a caixa à porta do seu novo lar já abastecido de comida e água. Mudou-se sem problemas. Agora, descansa de papo cheio, sem mais barulhos.
Não sei se por coincidência, vi nele imagem do meu País. Senti-me ao jeito dum FMI porque as regras já estão impostas. Não quero porcarias nem barulheira. Bastam as despesas e o trabalho que me vai dar. A minha "generosidade" obriga-me a ser "solidária." Mal sabe o meu Socrinhas que em troca da certeza alimentar, dificilmente voltará a voar, parapeito fora...a não ser que arrisque e se sujeite à incerteza dos céus.
Socrinhas, meu periquito amigo, este nome assenta-te que nem uma luva quer sejas menino ou menina.
Porta-te bem e não te faltará um lar!...