segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Broas

Confesso que alimentava uma vaga esperança de ter sido perdoada. Atendendo ao acto generoso que eu dera como justificação para a "corrida infernal", à velocidade registada de 82km/h que, deduzida a margem de erro legalmente prevista passou a equivaler a uma infracção de 77km/h, numa rua que eu desconhecia ter perdido o estatuto de circular exterior há pouco tempo e onde , numa manhã primaveril ninguém mais circulava naquele momento, julgava-me digna duma amnistia natalícia.
Quando o assunto já estava arrumado na gaveta das calendas, eis que me surge o aviso de registo a levantar nos CTT.
A penitência começava no dia seguinte. Estacionamento pago para não perder tempo. Ao retirar a senha, sai-me o 346. Olho o écran e vejo registado o 229. Fico fula mas espero mais de uma hora.
Quando chega a minha vez, calha-me um funcionário simpático que, depois de me ver assinar o aviso e verificar a minha identidade, ainda me dá outro documento para nova assinatura. Comento o castigo. Rimos e ele avisa-me do provável montante da "porrada". No mínimo, são 120. É o costume.
Suspiro pelo belo vestido que não vou comprar.
Suspiro pela penúria do meu país que me entra nos bolsos mesmo que me porte bem.
Suspiro pelas broas que um coelho safado me vai comendo nas orelhas, com passinhos doces que me seduzem o olhar mas se transformam em garras de falcão.
Hoje fui ao mb debitar a coima. Aproveitei para fazer outros pagamentos. No final, o agrado era tanto que deixei cair a papelada toda no chão e, com outros à espera, lá fui apanhando cada talão e cada aviso.
A "lembrança" ficou paga. Agora, exijo que seja encontrada a melhor aplicação para a verba enviada. Ficarei atenta à gestão do orçamento, com todos os meus radares.
Haja saúde e Paz neste Natal, para todos.
Marimbo-me para o resto... como o outro.

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